sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Progressistas rendem-se ao cansaço?

Durante a presidência de Salazar ou já até na Primavera Marcelista, muitos progressistas (da direita à esquerda) exigiam que o Estado tinha de acautelar devidamente a vida das crianças desprotegidas. Tinha de criar ou melhorar as condições das maternidades, as condições de adopção, de educação básica, enfim, tinha de criar uma rede que protegesse o futuro. O princípio é louvável, o método é que está reconhecidamente errado. O Estado não deve, nem pode suportar toda essa rede. Mas deve possibilitar que se assegure o futuro!

Entretanto o tempo passou, os progressos científicos e tecnológicos fizeram-se sentir e os progressistas (reforço, da direita à esquerda) exigiram a adopção de métodos que prevenissem problemas vincadamente sociais. Mas fizeram-no a montante: exigiram mais informação, exigiram a adopção de vários métodos contraceptivos (gradualmente até à pílula do dia seguinte), exigiram novamente a flexibilização da adopção, exigiram a criação de instituições já fora do aparelho do Estado para protegerem Mães e crianças e exigiram que o Estado criasse, mas mais importante, que deixasse criar, condições socio-económicas para que o futuro, mais uma vez, não fosse posto em causa. Sentiram esse dever moral.

É mais que certo que para mim, este percurso ou esta maneira de entender o Estado ainda não é aceitável. Mas vê-se um percurso nesse sentido. Há ainda esperanças que o Estado, por ele, não precise, nem tenha de se preocupar com a fragilidade do futuro. Mas certo é, que até agora os progressistas souberam caminhar sempre a montante da questão, porque teimam agora em progredir a jusante? Será mesmo progressismo não assegurar o futuro? Ou a esperança morreu na praia?

João Maria Condeixa

5 Comments:

Anonymous Margarida said...

É preciso saber que a “Carta à minha Mãe” que andou a ser distribuído nos infantários do Centro Paroquial da Anunciada em Setúbal é um atentado à inteligência e tem país pois é da responsabilidade da Associação dos Médicos Católicos Portugueses, da Associação Católica dos Enfermeiros e Profissionais de Saúde, dos Centros de Preparação para o Património – CPM Portugal e das Equipas de Nossa Senhora, conforme se lê no folheto.

E entretanto sabe-se que estas organizações católicas são coordenadas ao mais alto nível pelo patriarcado, conforme está seu próprio site:

http://www.patriarcado-lisboa.pt/vidacatolica/vcnum20/3_13_DocVigGer_distrib_trab_%20Bispos_e_Vig_gerais.doc

Vê-se que é o próprio Cardeal Patriarca que coordena as Associações dos Médicos e dos Enfermeiros e que é o D. Tomaz da Silva Nunes que tem a responsabilidade dos Centros de Preparação para o Matrimónio e das Equipas de Nª Senhora.

E lembro que pertence à Associação dos Médicos o tal dr. João Paulo Malva e aos Cursos de Nª Srª o Fernando Santos, duas das estrelas da Plataforma do Não, e aí companheiros entre muitos outros do Alexandre Relvas, António Bagão Félix; António Gentil Martins; António Lobo Xavier; Luis Nobre Guedes; Maria José Nogueira Pinto;
Nuno Morais Sarmento; Nuno Rogeiro; Teresa Venda; e da Zita Seabra!

fevereiro 03, 2007 11:30 da tarde  
Blogger Arrebenta said...

A Noite de Cristal

Nunca um boneco de plástico serviu tantos colos: por outras palavras, cansei-me. Acabou o tempo de jogo limpo e vamos ao resto das armas. Como diz o Poeta do Sorrobeco, é chegada a hora de dizer "Não".
Os meus piores pensamentos vêm-me pela noite, quando todos regressam a casa, e o fundo de cada rua, como dizia o meu ilustre antepassado, se "assemelha a uma veneza de tédios".
Hoje, pensei que estava na Europa, onde os referendos são convocados, quando se verificou uma tal clivagem na sociedade, e os jogos de bastidores partidários tão inoperantes que é necessário chamar a Democracia Directa, ou seja, o cidadão, em desespero de causa do equilíbrio de forças, sobrepõe-se aos seus representantes eleitos, e é obrigado a tomar uma posição individual, sobre um tema pantanoso e indeciso.
Em Portugal, onde as coisas funcionam todas ao contrário, o ser vil e cobarde que nos governa resolveu lançar a público um referendo que, pelo contrário, veio clivar, fracturar e tornar ainda mais não-dialogante toda a traumatizada sociedade portuguesa. Já há muito que não lhe desculpo uma, tenho sido coerente na minha linhagem discursiva sobre a criatura, todos sabem que lutei contra o Cavaco, por já saber que ele ia ser um dócil "pequinnois" deste abjecto estado de coisas, todos sabem que tudo farei para que Sócrates caia, como o Muro de Berlim, como o Thomaz, naquele dia de festa, como a estátua de Saddam, em Bagdad, como em tantos outros momentos da euforia dos povos contra a vileza dos seus governantes. Hoje, defronte de muitos fundos de ruas de venezas de tédios, escrevi-lhe uma carta mental, uma coisa simples, que lhe dizia que necessitávamos, neste momento, em Portugal, de uma bateria de referendos, o referendo sobre a idade da reforma, o referendo sobre o Portugal das regiões, o refrendo sobre termos acesso a 20 anos de canais de desvio de fundos comunitários, o referendo de sabermos os nomes de quem nos lançou para a Cauda da Europa, o referendo sobre o salários dos presidentes dos conselhos de adminstração das empresas públicas, o referendo sobre a incompatibilidade de transição entre cargos políticos e conselhos de administração privados, e vice-versa, o referendo sobre a Ota, o referendo sobre a impunidade judicial de certas figuras, o referendo (retroactivo) sobre a aplicabilidade de fundos em coisas como estádios de euros-2004, o referendo sobre ter sido Carlos Cruz a decidir dissipar dinheiros públicos para trazer para Portugal monstros, ele próprio, monstro, incluído, o referendo sobre os poderes do cidadão para impedir a prescrição de certos processos, o referendo sobre o Segredo de Justiça, o referendo sobre o dia a dia que ele, constantemente, nos corrói.
Do lado de lá, só o silêncio, e cada rua era uma veneza de tédios, a dizer-me, mas ele vai-te dar um primeiro referendo, e que vem já aí, no dia 11 de Fevereiro, e eu, dialogando com cada fundo de rua uma veneza de tédios, disse, pois eu quero os outros primeiro, e, quando me devolverem o meu dever democrático de pronunciamento directo, também falarei sobre o Aborto, mas só depois.
Não vai haver nenhum referendo sobre nada, e a minha posição final -- com exclusão de alguma imprevisível hecatombe -- passou a ser a seguinte: posto que um governo dotado de Ignomínia Absoluta, em nada, nem em nenhum dos seus actos, consultou os cidadãos portugueses sobre dezenas de matérias sensibilíssimas para o seu bem-estar, o seu viver presente, e o seu futuro, e agora decide usar, sem apelo nem agravo, o ventre feminino como campo de batalha, compete-me, como cidadão europeu, e, por azar, português, pronunciar-me contra a realização de um tal referendo, o que farei, por todos os meus cívicos postos ao meu dispor. É chegada a hora de dizer "Não", de dizer "Não", a todos os discursos do fantoche; é chegada a hora de dizer "Não" a cada uma das suas aparições públicas, de apagar a televisão, de cada vez que surge, é chegada a hora de congregar do mesmo lado desta trincheira, todas as forças políticas, todos os movimentos, todas as iniciativas populares que se oponham à sobrevivência política da criatura. No dia 11 de Fevereiro, em abstracto, vamos ter uma intervenção cívica, de democracia directa, onde, independentemente do tema -- e é lastimável, ó, como eu lastimo que o tema seja aquele, e que a canalhice e a falta de vergonha do verme o tenham escolhido!... -- é tempo de dizermos ao Boneco de Plasticina, "Não!...", Sr. Sócrates, "Não!...", Sr. "Eng.", "não", à sua cobardia política, "Não", à sua impiedade, "Não", a este permanente coarctar dos nossos direitos cívicos e humanos; "Não", a qualquer iniciativa política que saia do seu antro, "Não" puro e simples, ao seu Referendo do Aborto. Quero que esse "Não" seja sentido, por si, como uma expressão de nojo de uma população inteira sobre tudo o que você representa e defende.
Votar "NÃO" é também votar contra esta Abjecção que nos governa.
E agora comam-me vivo: estou às vossas ordens.
Muito boa noite.

fevereiro 05, 2007 1:28 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Margarida, e qual é o problema?

Deixe-me só fazer uma correcção, ao seu texto, que demonstra um pouco de falta de conhecimento. Não é Dr. João Paulo "Malva", mas sim Dr. João Paulo Malta!

fevereiro 05, 2007 10:38 da manhã  
Anonymous Prós e Contras said...

PRÓS E CONTRAS
Hoje à noite é o tão aguardado debate.
Espero, francamente, que decorra com toda a elevação, elevação que a nossa campanha (incluíndo o Alentejo pelo Não) tem sabido manter em todos os momentos.
Espero também que sirva para esclarecer os portugueses sobre o que está em jogo no dia 11 de Fevereiro. De um lado, um cheque em branco ao aborto livre, protagonizada pelos nossos adversários, do outro, a estabilidade moderna e consequente, protagonizada pelo "Não".
É preciso falar sobre os temas que interessam aos portugueses e não desperdiçar energias com fait divers. É esse o nosso propósito nesta campanha. É esse o nosso propósito para o Prós e Contras.

fevereiro 05, 2007 11:01 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

ouvi falar num encontro logo à noite no hotel da cartuxa, é verdade? porque é que não dizem nada?

fevereiro 05, 2007 11:23 da manhã  

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