terça-feira, janeiro 30, 2007

Dr. Jekyll & Mr. Hyde pelo NÃO

Um dos pontos que já referi aqui e que volto a reforçar, é a resposta a uma pergunta que o SIM não faz. Não deverá ter o Pai a mesma influência sobre o feto que a Mãe?

a) Sendo o resultado de uma consentida relação a dois, com a consequente conjugação de metade da carga genética de cada interveniente, seria natural que os direitos e deveres fossem idênticos. E antes que alguém traga exemplos estranhos, lembrem-se que por esse mundo fora cada vez mais se vão equiparando os sexos quanto à custódia dos filhos.

b) "Por opção da mulher" deixa qualquer homem de fora. Bem sei que actualmente já assim é se a mulher o entender, mas não quer isto dizer que o homem concorde ou que deva o Estado apoiar. E não me respondam, por favor, que a natureza atribui essa possibilidade de escolha à mulher, pois natural é uma gestação até ao final ou em casos menos afortunados abortos espontâneos. E estes já de si, sabemos que são difíceis de suportar!

c) E eis o segundo gume da faca: se as duas alíneas anteriores focavam pais estremados, outros há que assim não são. E aí, o SIM abre-lhes uma oportunidade única. Coagir a prática de aborto sob a protecção estatal. Ao contrário daquele que é o percurso que a humanidade considera natural (combate à violência doméstica, a maus-tratos sobre mulheres, a despedimentos sem justa causa...) passará a dar-se permeabilidade à acção de alguns "Pilatos" malfeitores ou apenas irresponsáveis. E ainda dizem que acabará a perseguição!

João Maria Condeixa

6 Comments:

Anonymous Carla said...

Penso que a maior hiprocrisia do vosso blog passa pelo facto de se esquecerem q enquanto nao liberalizarem:

- NUNCA mais as politicas sociais sao postas em pratica porque vai-se continuar a fechar os olhos a algo que acontece ás "escondidas";

- NUNCA MAIS sabem quem pretende abortar logo nao vao conseguir chegar a essas pessoas para evitar que isso suceda;

Se acreditam tanto que a politica social e a religiao é a solução para este problema LIBERALIZEM e ponham maos à obra. Nao é penalizando e atirando este problema para a marginalização e para o lado obscuro da sociedade que ele vai deixar de existir.

Badajoz está aqui ao lado. O aborto vai continuar a existir enquanto nao houver politicas internas.

A igreja cada vez desilude mais. Tanta riqueza e tao pouca ajuda. Falam muito mas nao os vejo nas ruas, no meio das pessoas q realmente precisam.é realmente confortavel o trono de S PEDRO.

Outro questão gira que toca o limear da hipocrisia é chamarem vida a um feto. Optimo... é verdade!! e a mae, não é uma vida? Alguem se le,mbrou de defender a mae? O feto é uma vida potencial, a mae é uma vida concreta...

falando em vida potencial ou vida: um ovulo é vida. Um espermatozoide é vida... que diferença têm estas duas celulas de um feto com 7 dias que ainda nem sistema nervoso tem? Onde está o limiar da vida e da potencial vida nao vos sei dizer mas nao ha-de ser pelo conceito de vida que la chegamos...

Se formos pela vida os catolicos sao TODOS uns criminosos. Comemos ovos, comemos carne, comemos peixe... abiam que tudo isso é substituivel por cereais? sabiam que a comida vegetariana e macrobiotica é tao rica ou mais que a mediterranica? tendo a mais valia de nao ter as toxinas que advem de comermos cadavares, mas o que interessa isso, não é senhores?! sao animais, nao sao pessoas...

O mesmo amor com que Deus criou o homem foi aquele com que criou as plantas e os outros animais. quem somos nos para falarmos de matar quando matamos animais para comer e pessoas para enriquecer??? Nao vos vi tao activos a quando da tentativa de empedimento da ida de militares para o Iraque. O que são aquelas vidas para voces? porque se levantam tantas vozes no caso do aborto e no caso da guerra se cruzam braços?

Deixa-me de veras maravilhada ver quao entendidos sois no tema do aborto e das razoes que levam uma mulher a abortar. Como sabem voces disso? Têm casos de aborto na familia ou andam a ler muito? se colocarem um pouco no meio desta realidade apercebem-se que não é por leviandade que o aborto se faz. Ninguem faz com leviandade algo que causa tanta dor. conheço quem o tenha feito, mais do que um caso e não é bonito nem repetivel, mas quem fez nao se arrepende, apenas se entristesse por o ter feito.

Falando em dor, se a dor é assim tao grande, se o trauma é assim tao grande, como podem temer que o aborto se torne um metodo contraceptivo? acham mesmo que alguem se sujeitaria a um segundo aborto depois do que se sofre? tenham paciencia...

esclarecimento:
- Sou cristã, não sou catolica
- EM PRINCIPIO nunca faria um aborto mas exijo que se dê essa liberdade de decisão pois é a unica maneira de realmente haver liberdade de expressao e de despoltar na opiniao publica o dever de evitar esta situação.

janeiro 30, 2007 2:01 da tarde  
Anonymous nana said...

Eu respondo o Pai terá alguma coisa a dizer, mas a decisão e da mulher e só da mulher. Por uotro çado temos:
1º - Pensando nas crianças que passam fome, nas crianças que sao violadas e maltratadas nas instituiçoes, que teoricamente seriam de apoio às crianças. É para isto que querem proibir as mulheres de abortar.
2º - o facto de o NAO ganhar, nao significa que os abortos parem, continua tudo na mesma, so que as mulheres que nao tem dinheiro para ir as clinicas privadas noutro pais, vao continuar a sofrer riscos desnecessarios e ainda serem julgadas, isto é humilhação. Nao podemos esquecer que este julgamento cai sobre mulheres de condiçoes sociais baixas. As madames do nosso pais que ficam escandalizadas com o aborto, vao ate Espanha ou Inglaterra passear.

janeiro 30, 2007 2:30 da tarde  
Blogger Luis Tirapicos Nunes said...

Sem querer faltar ao respeito a ninguém. O primeiro comentário é de chorar a rir. Só falta culpar as pessoas do NÃO pelo Tsunami na Ásia em 2004.

Alguém me esclarece se um católico pode comer febras ou é pecado?

janeiro 30, 2007 8:52 da tarde  
Anonymous IMB said...

(...)Ninguem faz com leviandade algo que causa tanta dor. conheço quem o tenha feito, mais do que um caso e não é bonito nem repetivel, mas quem fez nao se arrepende, apenas se entristesse por o ter feito.(...)

E porquê abortar????
Todos sabemos perfeitamente como os evitar... Por desconhecimento? Não creio. Por achar que só acontece aos outros?????
Por descuido????
Por muitas razões talvez... mas o que eu digo e ensino à minha filha, é que um erro não se apaga com outro erro!!!!!
Liberdade com responsabilidade!!!

(...)Outro questão gira que toca o limear da hipocrisia é chamarem vida a um feto(...)

SEM COMENTÁRIOS!!!!

ELEITO COMO O MAIS DISPARATADO ARGUMENTO DE SEMPRE!!!!

(...)Comemos ovos, comemos carne, comemos peixe... abiam que tudo isso é substituivel por cereais? sabiam que a comida vegetariana e macrobiotica é tao rica ou mais que a mediterranica? tendo a mais valia de nao ter as toxinas que advem de comermos cadavares, mas o que interessa isso, não é senhores?! sao animais, nao sao pessoas(...)

SEM COMENTÁRIOS!!!!!!!!!!!

DESCULPE?!


(...)Nao vos vi tao activos a quando da tentativa de empedimento da ida de militares para o Iraque. O que são aquelas vidas para voces? porque se levantam tantas vozes no caso do aborto e no caso da guerra se cruzam braços?(...)

mais uma vez.... SEM COMENTÁRIOS!!!!

janeiro 30, 2007 9:55 da tarde  
Blogger JMC - João Maria Condeixa said...

Carla,
As politicas sociais são postas em prática se o Estado for coagido a isso. E aí parte da responsabilidade das pessoas exigirem-no e pode ter a certeza que pelo SIM, desresponsabilizador, certamente não alcançará o que anseia.
O Estado deve criar, ou deixar que outros criem, condições para que a mulher não recorra ao aborto. Como vegetariana, que me parece que é, está habituada a ir contra a corrente, contra aquilo que é a prática corrente, não baixe os braços agora. Exija mais uma vez e finque o pé para que o Estado não se descarte das suas responsabilidades.
P.S. O feto às 10 semanas reage a estímulos, reage por exemplo à sua voz, acha que não tem a sua formação nervosa completa?

janeiro 31, 2007 2:52 da tarde  
Blogger JMC - João Maria Condeixa said...

Nana,
No primeiro ponto fala das falhas que o sistema de adopção ou que instituições de apoio têm, mas esquece-se que o saldo é amplamente positivo. Não tome a árvore pela floresta e não deixe que alguns casos borrem a pintura.
Quanto ao segundo, sabendo que o SNS não poderá comportar todos, que o aborto clandestino continuará a existir, que a vergonha de muitas raparigas as conduzirá às mesmas situações, que as pressões de agentes externos (pais, familiares, patronato) poderá aumentar, não acha que é mais útil e necessário fazer algo a montante da questão? A justiça social faz-se criando condições, não é através de penas, nem de IVG. Ou ainda acha que neste referendo apenas está em causa a despenalização?

janeiro 31, 2007 3:05 da tarde  

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